(Esse texto é como um complemento, uma continuação, do post "Remanescente ...". A música no final do Texto, também a ouvi enquanto escrevia, acredito que ajudaria a entender algumas coisas. Se possível, ouçam enquanto estiverem lendo).
É como um mar de sangue, todas aquelas nuvens
Elas o deixam sobre pressão, a morte o persegue a todo tempo
Ele se pergunta, se deve continuar, porque não se entregar ?
Ele já pode ver todas as colunas acima das nuvens
Ele as odeia, ainda se lembra de quando elas chegaram
E escureceram tudo, tiram-lhe a felicidade
A chuva veio, com o tempo, se tornando vermelha
Foi um genocídio, tantos e tantos morreram
Para nós , foi uma tragédia, o desencadear de uma derrota
Resistimos o quanto pudemos, duas, três, quatro noites,
Vimos a Velha Casa ser tomada pela escuridão
Houveram momentos que reacendemos as chamas,
E a luz novamente dissipou parte das núvens
Foi quando percebemos, a tentativa de um novo mundo
Queriam que fossemos soterrados, apagados. Esquecidos
As sentinelas nos atacavam, aquelas que um dia nos guardaram
Hoje são nosso maior medo, uma soma de todos os nossos
temores
Se sou a esperança, elas pra mim, são a loucura
Negras, belíssimas, sem luz ou esplendor, pura fúria ... dor
Então, a própria luz se dissipou, em nossa tentativa
desesperada
De nos reerguemos, emergimos em meio aquelas nuvens ...
Superfície
As edificações se partiram, os muros caíram, as bases ruíram
Como se fossem tão antigas quanto seus próprios nomes...
Sentimentos
Escuridão, morte , foi assim que vi todo aquele mundo
em seus últimos momentos , antes de despencar diante de mim
dos últimos , agora,
somos só cadáveres....
A quem vou enganar? O que eu sou? Se não o único cadáver que
anda
Elas já não veem mais motivos para me caçar , mesmo quando
grito
Em meio a tanta ironia , em conviver dessa forma com ela,
ele não me ouve
Ou me ignora. Sou um peso morto. O novo mundo se ergue, eu
sou a ultima peça
É inevitável , pois para que a chama daquele templo ascenda
, basta um olhar, da dona daquele lugar
Eu me entrego, no cemitério , em meio aos ossos e cruzes,
Dos meus irmãos. A ultima esperança, se junta a eles... Me perdoem
Irmãos, me perdoem ...
Pois não há mais luta, não há guerra
Apenas ecos, dos meus próprios gritos, que reverberam nas paredes do oceano nevoento
Aonde ir, como ainda caminhar, eu me acento na minha suposta sepultura
Olho pela ultima vez ao céu, tento encontrá-lo. Ele pode me ver?
Eu me entrego, e deixo minha assinatura aqui. Posso senti-las.
Chegou a hora. Sinto o Seu olhar sobre mim, com tristeza, mas
há neles, expectativa sobre o novo mundo... Elas me encontram
Sinto suas palavras, são doces, elas dizem "é hora de ir"
Sua espada é afiada, e destrói meus ossos antes de tocar o coração
Não sinto nada, não vou cair, estou ajoelhado, já me basta
Um simples olhar, Ela O deu. Eu grito, "Você pode me ver?!"
E Ele responde, "Sua assinatura, é mais altiva que seu grito"
Ela está marcada. Reascenda ... Esperança...
...:Moisés Noah:...
Comentário: Entendo este texto como uma espécie de diário do personagem. Um caderno onde estão escritos seus pensamentos ou coisas parecidas. Ainda não dei nome algum ao personagem, por enquanto o tenho apenas como "Esperança".
