quarta-feira, 4 de abril de 2012

Remanescente ...

(Eu ouvia a música que postei no final do poema enquanto escrevia. Recomendo que a ouçam, enquanto estiverem lendo).

Enquanto se levanta , e empurra o cadáver de seu irmão
Em um mundo que desaba, por debaixo de uma grande guerra
A chuva cai sobre ele, e inunda o enxame de cadáveres ao seu redor
Pedras rolam, e os prédios aos poucos caem, como se a séculos ruíssem

Ele sobrevive, mas seu corpo o segura, como uma cela
Em seu estado de choque, pela dor...
Ele ainda vê o rosto de todos aqueles que morreram
Um povo, que lutou contra todas as situações, que agora esta morto

E o que sobrou deles, foi apenas o odor fétido, de suas carcaças
do que um dia foram, de esperanças a paixões, sonhos
Todos estão ao chão, e este mundo destruído afunda, 
E todos os feitos de seus agentes, são esquecidos

Ele sente seu corpo naufragar junto aquele mundo
O peso, a pressão sobre seus ossos, aprofundando cada vez mais
em um mar de sangue, enquanto um novo mundo surge, na antiga superfície 
Ele apenas olha para cima, para a tempestade, os mares de nuvem refletem por um tempo em seus olhos.

Acabou.

Ele ainda quer viver, se levanta , e se abriga em uma velha casa
de longe vê todos os mortos, e observa a si mesmo
Seu corpo, é sua própria cela. Como se acima dele, por cima de suas batalhas e conquistas
Um novo mundo é erguido. Tudo sera esquecido, enquanto ele se encosta nas paredes 

Ele se lembra do que aquela casa representa
Foi ali que tudo começou, parece que foi a tanto tempo
as paredes gritam por eras, assim regurgitam em gemidos, suas bases cansadas
Ela aparenta tão velha, e tão abalada, suas cores desbotam...

Ele volta a caminhar, naquele mundo cinzento , a luz se foi
ilumina agora, o novo templo que se ergue, acima dos mares de nuvem
que ele observa, tantos trovões e relâmpagos. Ele caminha
por cima dos mortos , e das ruínas, do entulho, que agora é o terreno predominante

Mas ele está vivo, o ultimo de tantos de sua raça, que morreram lutando
Mas as sentinelas o observam, o caçam, querem garantir que ele não mais se desprenda
deu sua cela. Seres belos, mas não misericordiosos quando devem cumprir mais uma morte
é o medo dos outros, que os torna tão escuros e ameaçadores

E assim ele continua, ele não aceita que todos aqueles escombros sejam encobertos
Mesmo que o dono daquele mundo, daquele coração, se sinta melhor ao esquecer de todos que morreram
é inaceitável para ele, que Eu me esqueça. Portanto, sempre que os caçadores tentam matá-lo
Ele luta, os derrota, e grita, muito alto. E as vezes, quando me permito, o ouço gritar, 

Nostalgizo junto com ele, enquanto ele olha pra cima, para a tempestade de sangue
e eu , olho sem foco algum, mas ele, busca me encontrar , olhando para a tempestade
E diz, que , meu esquecimento não simboliza sua morte, a mente dele é quem segura sua chave
E ele se liberta, e vaga sozinho, e luta contra um exercito, resiste toda noite

Mas, ainda não encontramos, o perdão...

..:Moisés Noah:..

Comentário: Ele ainda luta, eu ainda o ouço gritar...

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